quarta-feira, 16 de maio de 2012

Culminância do Mês de Março

Confira também a apresentação das outras turmas do 1º ciclo do ensino fundamental da Escola 19 de julho das professoras Joseilma, Juçara, Lilian, Ingrid Raphaella, Lucilene e Edivânia, do programa Alfabetizar com Sucesso, com apoio das coordenadoras Edilene e Ângela.















domingo, 6 de maio de 2012

 Vamos brincar de poesia? 


No mês de março trabalhamos com a temática "Vamos brincar de poesia?", do Programa Alfabetizar com Sucesso - Circuito Campeão. 

Nosso 5º ano escolheu a poesia  OU ISTO OU AQUILO da escritora Cecília Meireles, para apresentar na culminância do final do mês. Esta apresentação incluiu o poema musicado por Luís Pedro Fonseca em 1978 e cantados por Lena d'Água em 1992.

Parabenizo a todos do 5º ano "B" da Escola 19 de Julho em Bom jardim/PE, linda apresentação! Um forte abraço da Professora Marizete campos.


Ou Isto ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles 




  Lena d'Água em 1992


CONFIRA AS FOTOS




sexta-feira, 4 de maio de 2012


 PROGRAMA ALFABETIZAR COM SUSSESSO - CIRCUITO CAMPEÃO

O que é

O Programa introduz, nos primeiros anos do Ensino Fundamental das redes regulares, ferramentas de gestão da aprendizagem como soluções concretas para estancar a má qualidade de ensino.


Objetivos

Garantir o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita, de cálculos matemáticos e de compreensão de fenômenos naturais e sociais, de maneira a contribuir para a permanência do aluno na escola e para o seu sucesso.


Como funciona

O Programa introduz nas escolas e secretarias de ensino uma cultura de gestão focada em resultados de aprendizagem. Prioriza políticas de alfabetização e de acompanhamento das quatro primeiras séries do ensino fundamental. 


Onde acontece

Circuito Campeão é adotado como política pública nos seguintes Estados: Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Roraima e Tocantins. Está presente em 596 municípios de 22 Estados.



Em Bom jardim/PE, o Programa Alfabetizar com Sussesso – Circuito Campeão, foi implantado em fevereiro de 2010. Este ano Já trabalhamos dois temas: “Vamos brincar de poesia?”  E “Despetando a curiosidade através da leitura”.


Os resultados

• Em 2008, na Paraíba, 80,6% das crianças da primeira série acompanhadas pelo Programa foram alfabetizadas.
• Em Pernambuco, 91,6% dos alunos da série inicial à 4ª série regular acompanhados pelo Programa foram promovidos em 2008.
• No Tocantins, 89,1% dos alunos da série inicial acompanhados pelo Circuito Campeão foram alfabetizados em 2008 e 93,7% dos alunos da 4ª série passaram de ano.


Números do Programa em 2010

Crianças e jovens atendidos: 538.763
Educadores formados: 19.624
Municípios atingidos: 596 em 22 Estados 


Depoimento

"Com a metodologia do Circuito Campeão, acompanhamos as três séries iniciais do Ensino Fundamental. Eu comecei a perceber os alunos evoluindo, com dever de casa feito, momentos de leitura todos os dias, controle dos livros lidos e da frequência. O Circuito traz uma nova forma de trabalhar. Temos um supervisor acompanhando. Temos um professor trabalhando realmente o conteúdo na sala de aula. Este caminho tinha muita pedra,vegetação difícil de romper. Eu acho que este caminho está muito limpo agora. Nós estamos fazendo um trabalho de base, com a vontade da secretaria de educação, o apoio do Instituto e as equipes que foram capazes de desbravar os caminhos difíceis."
Maria das Graças Almeida, gerente regional do Circuito Campeão, Cuité/PB


 Outros programas


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quarta-feira, 2 de maio de 2012


PROGRAMA PAULO FREIRE - Alfabetização de adultos

Apresentação
Desenvolvido no marco do Programa Brasil Alfabetizado – MEC/SECAD o Programa Paulo Freire – Pernambuco Escolarizado constitui iniciativa do Governo do Estado de Pernambuco em seu compromisso com o Plano Nacional de Educação, tendo como desafio a integração de ações que conduzam a erradicação do analfabetismo e a promoção da elevação da escolaridade da população jovem, adulta e idosa, priorizando o atendimento aos grupos menos favorecidos economicamente.

Objetivo
Promover uma educação de qualidade social para à população jovem, adulta e idosa não alfabetizada, assegurando seu ingresso e permanência no processo educativo, garantindo-lhes as oportunidades necessárias à apropriação da leitura e da escrita e criando as condições objetivas para sua inclusão e seguridade social.

Qual o público atendido pelo Programa?
Pessoas com 15 anos ou mais, não alfabetizada, residentes em zona urbana, zona rural, em terra indígena, terra quilombola, assentamento ou acampamento rural, ilhas, templos religiosos, periferias de grandes, médios ou pequenos centros urbanos, áreas de risco, nos chamados “territórios de Cidadania”, onde atua o Programa Governo Presente/Pacto pela Vida, pescadores, moradores do litoral e áreas ribeirinhas, conforme os assistidos pelo MPA/Programa Pescando Letras, e adultos em cumprimento de penas em unidades prisionais e jovens em regime de restrição de liberdade, em unidades de medidas socioeducativas (CASES/FUNASE).

Qual a duração do curso de alfabetização?
Oito meses, totalizando 320hs/atividades.

Em quais espaços podem funcionar turmas do Programa?
Em todo e qualquer espaço social com condições de estruturar uma sala de aula: escolas estaduais, municipais, comunitárias e particulares, empresas, sindicatos, templos religiosos, associação de bairro, casa do alfabetizador, entre outros.

Como as pessoas não alfabetizadas podem se inscrever?
A pessoa não alfabetizada ou aqueles que a estejam apoiando, devem dirigir-se à Secretaria de Educação e/ou às instituições/entidades parceiras atuantes em seu município e preencher o cadastro de inscrição. Para preenchimento do cadastro de inscrição não é obrigatória à apresentação de documentação pessoal, mas estando de posse dos mesmos deverá apresentá-los.

Como montar uma turma/núcleo de alfabetização?
  • Identificar cidadãos e cidadãs com vínculo social com a comunidade, para atuarem como educadores voluntários: alfabetizadores e coordenadores de turma;
  • Identificar, preferencialmente na comunidade, espaços sociais que possam ser utilizados como sala de aula;
  • Identificar na comunidade a população analfabeta e/ou com baixa escolaridade;
  • Preencher formulários de cadastramento e entregar nos postos de inscrição.

Para organização de uma turma/núcleo devem ser respeitadas as quantidades de alfabetizandos e turmas abaixo especificadas
Turma de Alfabetização (nº de alfabetizandos)
Área Urbana
Área Rural
Mínimo
Máximo
Mínimo
Máximo
14
25
07
25
 (*) orienta-se que as turmas não sejam formadas com o nº mínimo de alfabetizandos.

Como proceder para ser alfabetizador, interprete de LIBRAS ou coordenador de turma?
As pessoas interessadas deverão dirigir-se à Secretaria de Educação e/ou às instituições/entidades parceiras atuantes em seu município, preencher o cadastro de inscrição e apresentar cópiados documentos abaixo relacionados.
a) Registro Geral (RG).
b) Comprovante de Pessoa Física (CPF).
c) Comprovante de endereço (conta de luz, água ou de telefone fixo).
d) Comprovante de escolaridade.

Quais os perfis dos educadores de apoio?
1 - Alfabetizador:
  • Ser preferencialmente, professor das redes públicas de ensino;
  • Ter, no mínimo, formação de nível médio completo;
  • Ter experiência anterior em educação, preferencialmente, em educação de jovens e adultos;
  • Deve ter disponibilidade para participar do curso de formação de educadores voluntários.
2 - Coordenador de turmas:
  • Deve ter formação em nível superior em Educação, já concluído ou em curso;
  • Deve ter experiência anterior em educação, preferencialmente, em educação de jovens e adultos;
  • Deve ter disponibilidade para participar do curso de formação de coordenadores de turma;
  • Deve ser capaz de coordenar os trabalhos junto às turmas de alfabetização integrantes do núcleo sob sua responsabilidade e, em conformidade com a Proposta Político Pedagógica do Programa.
3 - Tradutor-intérprete de LIBRAS:
  • Deve ter, no mínimo, formação de nível médio;
  • Ter certificado obtido por meio do Programa Nacional de Proficiência em LIBRAS (PROLIBRAS);
  • Deve ter disponibilidade para participar do curso de formação de educadores voluntários;
  • Deve ser capaz de desempenhar suas atividades junto á turma de alfabetização à qual está vinculado e, em conformidade com a Proposta Político Pedagógica do Programa.

Qual a carga horária semanal de trabalho dos educadores voluntários?
Educador
Voluntário
Carga Horária
Carga Horária
Carga Horária
Total Carga
horária
Alfabetizador
10h/atividades em sala de aula
2h/atividades em formação continuada
-
- 12h/semanais
nterprete de
LIBRAS
10h/atividades em sala de aula
2h/atividades em formação continuada
-
12h/semanais
oordenador de Turma
6/atividades em visita às turmas
2h/atividades em formação continuada
4h atividades em planejamento e apoio à GRE/Município
12h/semanais

Como Proceder para ser um município parceiro?
Os municípios interessados em participar do Programa devem se dirigir à Gerência Regional de Educação para conhecer o Programa; havendo interesse em formalizar sua participação, deverá assinar o Termo de Adesão, apresentando a sua previsão de meta anual de alfabetização de jovens, adultos e idosos.
O Termo de Adesão é um documento fundamental para o estabelecimento da parceria entre a Secretaria de Educação do Estado e o município, e poderá ser obtido diretamente nas Gerências Regionais de Educação ou pelo site da Secretaria Estadual de Educação.

Como proceder para ser uma instituição/entidade parceira?
As instituições/entidades interessadas em participar do Programa devem se dirigir
preferencialmente a Coordenação Municipal do Programa ou à Gerência Regional de Educação para conhecer o Programa; havendo interesse em formalizar sua participação, deverá assinar o Termo de Adesão, apresentando a sua previsão de meta anual de alfabetização de jovens, adultos e idosos.
O Termo de Adesão é um documento fundamental para o estabelecimento da parceria entre a Secretaria de Educação do Estado e/ou a instituição/entidade, e poderá ser obtido diretamente nas Secretarias Municipais de Educação ou nas Gerências Regionais de Educação, bem como no site da Secretaria Estadual de Educação.

Quais os benefícios assegurados pelo Programa?
Beneficiado
Benefícios
Alfabetizando
Material didático, material escolar,
auxílio merenda e certificação.
Alfabetizador
Formação, material pedagógico e
literário e bolsa auxílio.
Coordenador de Turma
Formação, material pedagógico e
literário e bolsa auxílio.

Qual o valor da bolsa auxílio?
Tipo de Bolsa
Beneficiário
Valor da Bolsa Auxílio
Classe I
Alfabetizador de uma turma ativa
R$ 2.000,00
Classe II
Alfabetizador de uma turma ativa que inclua jovens, adultos e idosos com necessidades
especiais, população carcerária ou jovens em cumprimento de medidas sócio educativas
R$2.2000,00
Classe III
Tradutor-intérprete de LIBRAS que auxilia o alfabetizador em turma ativa que inclui jovens, adultos e idosos surdos
R$2.000,00
Classe IV
Para os alfabetizadores - coordenador de turmas de alfabetização ativas
R$4.000,00
Classe V
Alfabetizador com duas turmas de alfabetização ativas, qualquer que seja o segmento atendido.
R$4.000,00

 (*) Valor total da bolsa auxílio para voluntários atuantes nos 8(oito) meses de aula. A bolsa auxílio é destinada a custeio de deslocamento e apoio ao desempenho da função.

Como se dá o pagamento da bolsa auxílio?
O pagamento será efetuado ao final de cada ciclo de validação para aqueles que estiverem em situação regular com a Gerência Regional de Educação, sendo o depósito efetivado em conta benefício aberta pelo FNDE/MEC no Banco do Brasil S/A, em agência próxima ao endereço informado pelo bolsista, e em conformidade com a liberação de lotes disponibilizados pelo FNDE/MEC e validados pela Coordenação Estadual.

Quais as condições para que o bolsista tenha direito à bolsa auxílio?
Cumprir todas as determinações necessárias à função desempenhada e estar em dia com a entrega de frequências e relatórios junto a Gerência Regional de Educação.

Quando as aulas poderão ser iniciadas?
Após cadastramento dos alfabetizandos, alfabetizadores e coordenadores de turma no Sistema Brasil Alfabetizado, conclusão da formação inicial dos alfabetizadores e Coordenadores de turma e autorização formal expedida pela Coordenação Regional de Educação em cumprimento ao Calendário Pedagógico do Programa.

Qual o fundamento legal do Programa Paulo Freire - Pernambuco Escolarizado?
O Programa é regido, a cada ano, por uma Resolução do MEC/FNDE, uma vez que é
desenvolvido no âmbito do Programa Brasil Alfabetizado. As turmas a serem iniciadas ao longo de 2012 estarão submetidas à Resolução nº 32, publicada no DOU em 1º de julho de 2011.

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Paulo Freire, o mentor da educação para a consciência


O mais célebre educador brasileiro, autor da pedagogia do oprimido, defendia como objetivo da escola ensinar o aluno a "ler o mundo" para poder transformá-lo.

Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.

Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as "escolas burguesas"), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. "Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade", escreveu o educador. Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.

Aprendizado conjunto

Freire criticava a idéia de que ensinar é transmitir saber porque para ele a missão do professor era possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos. Mas ele não comungava da concepção de que o aluno precisa apenas de que lhe sejam facilitadas as condições para o auto-aprendizado. Freire previa para o professor um papel diretivo e informativo - portanto, ele não pode renunciar a exercer autoridade. Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. "Os homens se educam entre si mediados pelo mundo", escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro - e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar. "Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo", diz José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.

A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização preconizado por Paulo Freire e está no âmago de seu método de alfabetização, formulado inicialmente para o ensino de adultos. Basicamente, o método propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos - as chamadas palavras geradoras. Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua, como por exemplo "tijolo" para os operários da construção civil.

Diante dos alunos, o professor mostrará lado a lado a palavra e a representação visual do objeto que ela designa. Os mecanismos de linguagem serão estudados depois do desdobramento em sílabas das palavras geradoras. O conjunto das palavras geradoras deve conter as diferentes possibilidades silábicas e permitir o estudo de todas as situações que possam ocorrer durante a leitura e a escrita. "Isso faz com que a pessoa incorpore as estruturas lingüísticas do idioma materno", diz Romão. Embora a técnica de silabação seja hoje vista como ultrapassada, o uso de palavras geradoras continua sendo adotado com sucesso em programas de alfabetização em diversos países do mundo.

Biografia

Paulo Freire nasceu em 1921 em Recife, numa família de classe média. Com o agravamento da crise econômica mundial iniciada em 1929 e a morte de seu pai, quando tinha 13 anos, Freire passou a enfrentar dificuldades econômicas. Formou-se em direito, mas não seguiu carreira, encaminhando a vida profissional para o magistério. Suas idéias pedagógicas se formaram da observação da cultura dos alunos - em particular o uso da linguagem - e do papel elitista da escola. Em 1963, em Angicos (RN), chefiou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. No ano seguinte, o golpe militar o surpreendeu em Brasília, onde coordenava o Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart. Freire passou 70 dias na prisão antes de se exilar. Em 1968, no Chile, escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido. Também deu aulas nos Estados Unidos e na Suíça e organizou planos de alfabetização em países africanos. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil, integrando-se à vida universitária. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e, entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo. Freire foi casado duas vezes e teve cinco filhos. Foi nomeado doutor honoris causa de 28 universidades em vários países e teve obras traduzidas em mais de 20 idiomas. Morreu em 1997, de enfarte.

Tempos de mobilização e conflito

O ambiente político-cultural em que Paulo Freire elaborou suas idéias e começou a experimentá-las na prática foi o mesmo que formou outros intelectuais de primeira linha, como o economista Celso Furtado e o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997). Todos eles despertaram intelectualmente para o Brasil no período iniciado pela revolução de 1930 e terminado com o golpe militar de 1964. A primeira data marca a retirada de cena da oligarquia cafeeira e a segunda, uma reação de força às contradições criadas por conflitos de interesses entre grandes grupos da sociedade. Durante esse intervalo de três décadas ocorreu uma mobilização inédita dos chamados setores populares, com o apoio engajado da maior parte da intelectualidade brasileira. Especialmente importante nesse processo foi a ação de grupos da Igreja Católica, uma inspiração que já marcara Freire desde casa (por influência da mãe). O Plano Nacional de Alfabetização do governo João Goulart, assumido pelo educador, se inseria no projeto populista do presidente e encontrava no Nordeste - onde metade da população de 30 milhões era analfabeta - um cenário de organização social crescente, exemplificado pela atuação das Ligas Camponesas em favor da reforma agrária. No exílio e, depois, de volta ao Brasil, Freire faria uma reflexão crítica sobre o período, tentando incorporá-la a sua teoria pedagógica.

Para pensar

Um conceito a que Paulo Freire deu a máxima importância, e que nem sempre é abordado pelos teóricos, é o de coerência. Para ele, não é possível adotar diretrizes pedagógicas de modo conseqüente sem que elas orientem a prática, até em seus aspectos mais corriqueiros. "As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos", escreveu o educador. "Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se o ironizo, se o discrimino, se o inibo com minha arrogância?" Você, professor, tem a preocupação de agir na escola de acordo com os princípios em que acredita? E costuma analisar as próprias atitudes sob esse ponto de vista?

sábado, 28 de abril de 2012


Maria Montessori

Segundo a visão pedagógica da pesquisadora italiana, o potencial de aprender está em cada um de nós


"A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir" - Maria Montessori


Maria Montessori nasceu em 1870, em Chiaravalle, no norte da Itália, filha única de um casal de classe média. Desde pequena se interessou pelas ciências e decidiu enfrentar a resistência do pai e de todos à sua volta para estudar medicina na Universidade de Roma. Direcionou a carreira para a psiquiatria e logo se interessou por crianças com retardo mental, o que mudaria sua vida e a história da educação. Ela percebeu que aqueles meninos e meninas proscritos da sociedade por serem considerados ineducáveis respondiam com rapidez e entusiasmo aos estímulos para realizar trabalhos domésticos, exercitando as habilidades motoras e experimentando autonomia. Em pouco tempo, a atividade combinada de observação prática e pesquisa acadêmica levou a médica a experiências com as crianças ditas normais. Montessori graduou-se em pedagogia, antropologia e psicologia e pôs suas idéias em prática na primeira Casa dei Bambini (Casa das crianças), aberta numa região pobre no centro de Roma. Depois dessa, foram fundadas outras em diversos lugares da Itália. O sucesso das "casas" tornou Montessori uma celebridade nacional. Em 1922 o governo a nomeou inspetora-geral das escolas da Itália. Com a ascensão do regime fascista, porém, ela decidiu deixar o país em 1934. Continuou trabalhando na Espanha, no Ceilão (hoje Sri Lanka), na Índia e na Holanda, onde morreu aos 81 anos, em 1952.

Poucos nomes da história da educação são tão difundidos fora dos círculos de especialistas como Montessori. Ele é associado, com razão, à Educação Infantil, ainda que não sejam muitos os que conhecem profundamente esse método ou sua fundadora, a italiana Maria Montessori. Primeira mulher a se formar em medicina em seu país, foi também pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao papel do professor como fonte de conhecimento. "Ela acreditava que a educação é uma conquista da criança, pois percebeu que já nascemos com a capacidade de ensinar a nós mesmos, se nos forem dadas as condições", diz Talita de Oliveira Almeida, presidente da Associação Brasileira de Educação Montessoriana. Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino. Montessori defendia uma concepção de educação que se estende além dos limites do acúmulo de informações. O objetivo da escola é a formação integral do jovem, uma "educação para a vida". A filosofia e os métodos elaborados pela médica italiana procuram desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender - conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos. 
Ao defender o respeito às necessidades e aos interesses de cada estudante, de acordo com os estágios de desenvolvimento correspondentes às faixas etárias, Montessori argumentava que seu método não contrariava a natureza humana e, por isso, era mais eficiente do que os tradicionais. Os pequenos conduziriam o próprio aprendizado e ao professor caberia acompanhar o processo e detectar o modo particular de cada um manifestar seu potencial.

Por causa dessa perspectiva desenvolvimentista, Montessori elegeu como prioridade os anos iniciais da vida. Para ela, a criança não é um pretendente a adulto e, como tal, um ser incompleto. Desde seu nascimento, já é um ser humano integral, o que inverte o foco da sala de aula tradicional, centrada no professor. Não foi por acaso que as escolas que fundou se chamavam Casa dei Bambini (Casa das crianças), evidenciando a prevalência do aluno. Foi nessas "casas" que ela explorou duas de suas idéias principais: a educação pelos sentidos e a educação pelo movimento.

Escola sem lugar marcado
As salas de aula tradicionais eram vistas com desprezo por Maria Montessori. Ela dizia que pareciam coleções de borboletas, com cada aluno preso no seu lugar. Quem entra numa sala de aula de uma escola montessoriana encontra crianças espalhadas, sozinhas ou em pequenos grupos, concentradas nos exercícios. Os professores estão misturados a elas, observando ou ajudando. Não existe hora do recreio, porque não se faz a diferença entre o lazer e a atividade didática. Nessas escolas as aulas não se sustentam num único livro de texto. Os estudantes aprendem a pesquisar em bibliotecas (e, hoje, na internet) para preparar apresentações aos colegas. Atualmente existem escolas montessorianas nos cinco continentes, em geral agrupadas em associações que trocam informações entre si. Calcula-se em torno de 100 o número dessas instituições no Brasil.

Para pensar
O principal legado da italiana Maria Montessori foi afirmar que as crianças trazem dentro de si o potencial criador que permite que elas mesmas conduzam o aprendizado e encontrem um lugar no mundo. "Todo conhecimento passa por uma prática e a escola deve facilitar o acesso a ela", diz a educadora Talita de Oliveira Almeida. É o que Montessori chamou de "ajude-me a agir por mim mesmo". Outro aspecto fundamental da teoria montessoriana é deslocar o enfoque educacional do conteúdo para a forma do pensamento. As críticas mais comuns ao montessorianismo referem-se ao enfoque individualista e ao excesso de materiais e procedimentos construídos dentro da escola - o que dificultaria a adaptação dos alunos a outros sistemas de ensino e ao "mundo real". Os montessorianos argumentam que, ao contrário, o método se volta para a vida em comunidade e enfatiza a cooperação. E você? Acha que dar atenção individual aos alunos é um modo de contrabalançar a tendência contemporânea à massificação, inclusive do ensino?